Pecado e Redenção – complemento do congresso on-line sobre a Teologia do Corpo

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Por
Marcelo e Viviane Pastre
28/09/2019

 

Para você que participou do primeiro congresso católico on-line sobre a Teologia do Corpo, aqui está o que prometemos: um pequeno complemento da nossa participação nesse maravilhoso congresso. Não é artigo nem resumo! Organizamos algumas das frases impactantes de São João Paulo II contidas no segundo ciclo das catequeses como um complemento daquilo que partilhamos no congresso!

Você que não conseguiu participar fique tranquilo pois vou explicar! Fizemos uma partilha abordando o segundo ciclo das catequeses da Teologia do Corpo e como o tempo não nos permitiu mostrar as várias exortações que São João Paulo II nos deixou, resolvemos fazer um complemento deste ciclo que se refere a nós, homens e mulheres pós pecado. O primeiro ciclo – que vou contextualizar a seguir – retrata aquele projeto original para o ser humano que não vimos! Não vimos como eram nossos primeiros pais antes do pecado! Só aprendemos com São João Paulo II, como é esse projeto, como fomos projetados. O terceiro ciclo, que se refere a ressurreição escatológica, também não conseguimos ver a vida dos Santos que já estão na glória! Portanto, o segundo ciclo é muito importante pois retrata o “homem histórico” que somos nós, ou seja, o homem pós pecado!

Contextualizando: na primeira parte das catequeses de São João Paulo II sobre a Teologia do Corpo – que é composta por três ciclos basicamente, o Papa quis analisar as palavras de Cristo relacionadas ao itinerário da nossa existência: às origens(donde viemos), ao coração humano (onde estamos) e à ressurreição (aonde vamos).

Neste complemento queremos mergulhar um pouco mais sobre as palavras de Cristo dirigidas ao coração humano, que foi o tema de nossa partilha no congresso. Todos os ciclos São João Paulo II se utiliza de um texto bíblico para fundamentar suas análises. E neste caso, o texto escolhido é um trecho do diálogo do sermão da montanha:

“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher já adulterou com ela em seu coração.” (MT 5, 27-28)

A partir desse texto bíblico São João Paulo II escreve 40 catequeses para nos explicar as consequências do pecado e a grande realidade da redenção, muitas vezes esquecida! Não pretendemos aqui esgotar o assunto e sim ressaltar as palavras exortativas de São João Paulo II, de modo muito especial, relacionadas à “vitória sobre o pecado”!

Ao refletir as palavras de Cristo quando se refere ao princípio, o que São João Paulo II quis nos ensinar? Que DEUS projetou todas as coisas e de modo especial o ser humano. E o livro do Gênesis retrata isso nos primeiros capítulos. Como diria São João Paulo II, o segundo capítulo do livro do Gênesis é o retrato mais antigo da subjetividade do ser humano. A subjetividade significa aquilo que é próprio do sujeito, suas experiências vividas, neste caso, no paraíso. Depois que Deus criou o homem do pó da terra e o colocou no jardim para cuidar e cultivar, Deus viu que não era bom que o homem estivesse só. Depois Deus cria todas as criaturas e as apresenta ao homem, que não encontrou nenhum auxílio que lhe correspondesse! E depois sim, Deus cria a mulher e a apresenta ao homem e a partir disso eles puderam viver totalmente aquilo para o qual foram criados (sua essência): ser para o outro! Aquele primeiro homem passa a se doar totalmente para a mulher e a mulher para o homem. E depois, relatado no primeiro capítulo do Gênesis, Deus disse: “sede fecundos e multiplicai-vos”, isto é, a procriação!

Portanto o princípio revela o projeto original do ser humano, que encontra sentido no seu ser e existir na doação, isto é, na vivência do Significado Esponsal do Corpo:

“o corpo, com o seu sexo – masculinidade e feminilidade – visto no mistério mesmo da criação, não é só fonte de fecundidade e procriação como em toda a ordem natural, mas encerra desde o princípio o atributo esponsal, isto é, a capacidade de exprimir o Amor: exatamente aquele Amor em que a pessoa humana se torna dom e – mediante este dom – prática o sentido mesmo do seu ser e existir. (TdC 15:1)”

Resumindo: o verdadeiro Amor é doar-se, se fazer um dom ao outro (intercâmbio do dom) e assim dar sentido para tua vida!

E o Papa diz mais: que este intercâmbio do dom – recíproco – gera a comunhão de pessoas e, a comunhão de pessoas, significa ser para o outro. Aqui está um resumo do projeto para o ser humano que se fundamenta na doação e, consequentemente, na abertura à vida!

Porém no terceiro capítulo do Gênesis acontece aquilo que conhecemos como o pecado das origens, isto é, o pecado original. E o texto narra que após este episódio, o homem e a mulher tiveram vergonha pois antes estavam nus, e não se envergonhavam. Vale lembrar que o pecado original não tem nenhuma relação com a intimidade dos casais e sim com a desobediência dos nossos primeiros pais.

Este episódio causou uma “ruptura” naquele projeto original pois aquilo que era para ser um dom, se transformou em posse! O pecado manchou o projeto original e, consequentemente, estragou todas as relações do ser humano: com ele próprio, com a natureza, com os animais e com Deus! O ser humano passa a querer usar as outras pessoas ao invés de querer se doar a elas.

São João Paulo II vai nos explicando detalhadamente como se deu essa ruptura e diz frases impactantes que queremos trazer neste complemento para que você possa perceber a riqueza contida nestas catequeses.

Rapidamente, vejamos alguns trechos significativos para compreendermos esta ruptura que ocorreu conosco após o pecado original e depois às palavras exortativas.

A primeira coisa foi esta “fratura constitutiva” do ser humano, isto é, aquele projeto original foi adulterado:

“Por meio destas palavras (Gn 3,7) revela-se certa fratura constitutiva no interior da pessoa humana, uma ruptura da unidade espiritual e somática original do homem”. (TdC 28)

“A necessidade de se esconder ante o “outro” mostra a fundamental falta de confiança, que já em si aponta para o colapso da relação original “de comunhão””. (TdC 29)

Depois, São João Paulo II nos ensina que essa “fratura”, a que se refere, está ligado à tríplice concupiscência:

“Esta verdade sobre o homem “histórico” parece estar expressa na doutrina bíblica sobre a tríplice concupiscência (1 Jo 2, 16)”. (TdC 26). 

“O homem da concupiscência não domina o próprio corpo do mesmo modo, com igual simplicidade e “naturalidade” como o fazia o homem da inocência original”. (TdC 28)  Isso significa dizer que no nosso projeto existe, também, esta potencialidade para o   autodomínio!

Dessa forma,

“homem e mulher sofrem uma fundamental perda da primitiva comunidade-comunhão de pessoas”. (TdC 30:3), que é o fundamento do projeto para o ser humano.

E consequentemente, “o “coração” tornou-se um campo de batalha entre o amor e a concupiscência. Quanto mais a concupiscência domina o coração, tanto menos este experimenta o significado esponsal do corpo, e tanto menos se torna sensível ao dom da pessoa. (TdC 32)

A comunhão de pessoas é substituída por uma relação mútua diferente, isto é, uma relação de posse do outro como um objeto do próprio desejo”. (TdC 31)

“A relação de dom transforma-se em relação de apropriação”. (TdC 32)

“A concupiscência faz que se torne o corpo quase ‘terreno’ de apropriação da outra pessoa”. (TdC 33:1)

“O adultério é a antítese daquela relação esponsal, é a contradição do matrimônio”. (TdC 37:4)

E dessa forma, aquele desejo desordenado (tríplice concupiscência), que Jesus chama atenção de seus interlocutores no referido trecho do sermão da montanha, ressalta a inversão que aconteceu em relação ao significado esponsal do corpo, tanto fora do matrimônio, quanto dentro do próprio matrimônio:

“O homem, ‘desejando’, ‘olhando para desejar’, experimenta de modo mais ou menos explícito o desapego daquele significado do corpo, que está na base da comunhão das pessoas: seja fora do matrimônio, seja – de modo particular – quando o homem e a mulher chamados a construir a união no corpo”. (TdC 39:5)

Assim, esse desejo desordenado é, sem dúvida alguma, um grande equívoco:

“O desejo é, diria, o engano do coração humano quanto à perene chamada do homem e da mulher – chamada que foi revelada no mistério mesmo da criação – à comunhão através de um dom recíproco…” (TdC 40:1)

É um reducionismo antropológico: reduzir todo o ser humano à mera busca de prazer:

“O desejo faz que no interior, isto é, no coração, no horizonte interior do homem e da mulher, ofusque o significado do corpo, próprio da pessoa (…) para satisfazer só a “necessidade” sexual do corpo, como próprio objeto”. (TdC 40:4)

O homem que “olha” de tal modo, como escreve Mt 5, 27-28, “se utiliza” da mulher, da sua feminilidade, para satisfazer o próprio “instinto”. Mesmo que não o faça em um ato exterior, já tomou essa atitude no seu íntimo. Um homem pode cometer tal adultério “no coração” mesmo com a própria esposa, se a trata apenas como objeto para a satisfação de impulsos. (TdC 43:3

Entenderam o que o pecado fez com aquele maravilhoso projeto das origens? E aqui você pode estar se perguntando: será que somos então um projeto falido? Aconteceu o pecado e agora estamos fadados a isso? (infelizmente muitos pensam assim)

NÃO, NÃO somos um projeto falido e o pecado não tem a última palavra em nossa vida, justamente porque fomos criados por Amor e para o Amor. Porém, é a partir disso – do pecado – que o nosso coração entrou nesta batalha entre o bem e o mal, mas o bem, com toda a certeza, sempre terá a última palavra, sabe porque? Porque fomos criados para o AMOR! É o AMOR que está na base do projeto original para o ser humano, é o que fundamenta tal projeto! Imagine o seguinte: você ganhou uma Ferrari! Ela foi toda projetada, nos mínimos detalhes, com a mais alta tecnologia, concorda? Faz parte do projeto dela! Agora imagine você abastecendo sua Ferrari vermelha com um combustível de péssima qualidade! O que vai acontecer? Provavelmente ela não conseguirá desempenhar toda sua potencialidade, talvez não vai nem funcionar por causa do combustível ruim! Mas eu te pergunto: a Ferrari vai deixar de ser uma Ferrari? Não! Ela, com o combustível adulterado, e nem ligando, continuará sendo uma Ferrari vermelha! O projeto desse carro continua o mesmo, pronto para entrar em ação! Podemos também pensar num outro contexto, com a Ferrari: imagine você com a sua Ferrari na sua fazenda, no meio do brejo ou querendo fazer uma trilha no meio do mato com ela! Você vai conseguir? Claro que não pois a Ferrari não foi projetada para estes lugares! Mas mesmo assim ela não deixa de ser uma Ferrari! Entenderam?

Com a gente é assim também: o pecado não tem poder para destruir esse projeto de Amor que o Criador quis para o ser humano. O pecado faz com que não consigamos desempenhar todas nossas potencialidades, nos leva a fazer “coisas” para as quais não fomos “projetados”, porém, continuamos a ser imagem e semelhança de Deus. Como fomos criados para Amar, isto é, se doar ao outro e ser comunhão de pessoas – que faz parte daquele projeto original, dentro de nós, no nosso mais íntimo, sempre vai existir esta potencialidade que nos impulsiona para vivermos o verdadeiro AMOR, porque, mesmo com o pecado, ainda somos imagem e semelhança de Deus, que é Amor e Comunhão de pessoas.

E tem mais! Aconteceu o maior evento de toda a humanidade: Jesus, o Cristo, o verbo encarnado que veio até nós para nos ensinar o que é ser humano, nos redimir de nossos pecados e nos livrar dos cativeiros que nós mesmo nos metemos. O próprio Jesus disse isso naquele episódio que ele entrou na sinagoga, abriu as escrituras e leu o seguinte trecho do profeta Isaías: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor consagrou-me pela unção; enviou-me a levar a boa-nova aos humildes, a curar os corações doloridos, a anunciar aos cativos a redenção, e aos prisioneiros a liberdade”. Isso que significa o redentor: aquele que vem libertar os escravos. Trazendo para nossa realidade, aquele que vem nos libertar da escravidão, em que nos encontramos, por causa do pecado que cometemos! A redenção é a libertação dessa escravidão!

O pecado nos escraviza, mas os ensinamentos de Jesus nos liberta. Basta mudarmos nossas atitudes e colocarmos em prática os ensinamentos de Jesus. São João Paulo II utilizará o termo “ethos” para referir-se a isso: uma atitude Cristã, redentora, que já começa agora em nossa vida, dia a dia, em todo o nosso operar!

Assim, a partir da catequese de número 45, São João Paulo II começa a nos exortar a vencermos o mal que está em nós e você precisa saber disso!

Portanto, vamos a elas, às frases exortativas, impactantes, incríveis, que você precisa conhecer! Claro, são algumas dessas frases e nem precisa dos nossos comentários:

“com base nas palavras de Cristo no Sermão da Montanha, o ethos cristão é caracterizado por uma transformação da consciência e das atitudes da pessoa humana, quer do homem quer da mulher, tal que manifeste e realize o valor do corpo e do sexo, segundo o desígnio original do Criador, colocados ao serviço da “comunhão das pessoas” que é o substrato mais profundo da ética e da cultura humana. Enquanto para a mentalidade maniqueísta o corpo e a sexualidade constituem, por assim dizer, um “antivalor”, para o cristianismo, ao contrário, permanecem sempre um “valor não suficientemente apreciado”. (TdC 45:3)

“As palavras de Cristo, “Não contêm, de nenhum modo, a condenação do corpo e da sexualidade. Encerram só um apelo a que se vença a tríplice concupiscência, e em particular a concupiscência da carne: o que precisamente deriva da afirmação da dignidade pessoal do corpo e da sexualidade, e unicamente apoia esta afirmação”. (TdC 46:1)

“Resumindo, pode-se dizer brevemente que as palavras de Cristo segundo Mateus 5, 27-28 não consentem determo-nos na acusação contra o coração humano e colocá-lo em estado de suspeita contínua, mas devem ser entendidas e interpretadas sobretudo como apelo dirigido ao coração. Isto deriva da natureza mesma do ethos da redenção. Sobre o fundamento deste mistério, que São Paulo define “redenção do corpo”, sobre o fundamento da realidade denominada “redenção” e, por conseguinte, sobre o fundamento do ethos da redenção do corpo, não podemos deter-nos só na acusação do coração humano em base ao desejo e à concupiscência da carne. O homem não pode deter-se a pôr o “coração” em estado de contínua e irreversível suspeita por causa das manifestações da concupiscência da carne e da libido, que, em particular, um psicanalista descobre mediante as análises do incônscio. A redenção é uma verdade, uma realidade, em cujo nome o homem deve sentir-se chamado, e “chamado com eficácia”. Deve dar-se conta de tal chamado até mediante as palavras de Cristo segundo Mateus 5, 27-28, relidas no pleno contexto da revelação do corpo. O homem deve sentir-se chamado a redescobrir, mais, a realizar o significado esponsal do corpo e a exprimir de tal modo a liberdade interior do dom, isto é, daquele estado e daquela força espiritual, que derivam do domínio da concupiscência da carne. (TdC 46:4)

“As palavras de Cristo, que no Sermão da Montanha apela para o “coração”, levam, em certo sentido, o ouvinte a essa chamada interior. Se ele consentir em que elas atuem em si, poderá ouvir ao mesmo tempo no íntimo um quase eco daquele “princípio”, daquele bom princípio a que faz referência Cristo outra vez, para recordar aos próprios ouvintes quem é o homem, quem é a mulher e quem são reciprocamente um para  outro. (…) As palavras de Cristo testemunham que a força original (portanto, também a graça) do mistério da criação se torna para cada um deles força (isto é, graça) do mistério da redenção. Isto refere-se à mesma “natureza”, ao mesmo substrato da humanidade da pessoa, aos mais profundos impulsos do “coração”. Não sente acaso o homem, juntamente com a concupiscência, profunda necessidade de conservar a dignidade das relações recíprocas, que encontram expressão no corpo, graças à sua masculinidade e feminilidade? Não sente acaso a necessidade de impregná-las de tudo o que é nobre e belo? Não sente acaso a necessidade de lhes conferir o valor supremo que é o amor? (TdC 46:5)

“As palavras de Cristo significam sempre a redescoberta do significado de toda a existência, do significado da vida, em que está compreendido também aquele significado do corpo. (…) É importante que ele (o homem), precisamente no seu “coração”, não se sinta só irrevocavelmente acusado e entregue como presa à concupiscência da carne, mas que no mesmo coração se sinta chamado com energia. Chamado precisamente àquele supremo valor que é o amor. Chamado como pessoa na verdade da sua humanidade, portanto também na verdade da sua masculinidade e feminilidade, na verdade do seu corpo. Chamado naquela verdade que é o patrimônio “do princípio”, patrimônio do seu coração, mais profundo que a pecaminosidade herdada, mais profundo que a tríplice concupiscência. As palavras de Cristo, enquadradas na inteira realidade da criação e da redenção, reatualizam aquela herança profunda e dão-lhe real força na vida do homem”. (TdC 46:6)

“Cristo não muda a Lei, mas confirma o mandamento “Não cometerás adultério”; porém, ao mesmo tempo, conduz a inteligência e o coração dos ouvintes àquela “plenitude da justiça” querida por Deus criador e legislador, que este mandamento encerra em si. Tal plenitude é descoberta: primeiro, com uma interior visão “do coração”; e, depois, com um adequado modo de ser e de operar. A forma do “homem novo” pode derivar deste modo de ser e de operar, na medida em que o ethos da redenção do corpo domina a concupiscência da carne e todo o homem da concupiscência. Cristo indica com clareza que o caminho para chegar lá deve ser caminho de temperança e de domínio dos desejos, isto na raiz mesma, já na esfera puramente interior (“todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a…”). O ethos da redenção contém em todos os âmbitos —e diretamente na esfera da concupiscência da carne— o imperativo do domínio de si, a necessidade de uma imediata continência e de uma habitual temperança. (TdC 49:4)

O ethos da redenção realiza-se no domínio de si, mediante a temperança, isto é, na continência dos desejos. Neste comportamento, o coração humano permanece vinculado ao valor, do qual, através do desejo, se teria de outro modo afastado, orientando-se para a pura concupiscência privada de valor ético (como dissemos na precedente análise). No terreno do ethos da redenção, a união com aquele valor, mediante um ato de domínio, é confirmada ou restabelecida com força e firmeza ainda mais profundas. E trata-se aqui do valor do significado esponsal do corpo, do valor de um sinal transparente, mediante o qual o Criador —juntamente com a perene atração recíproca do homem e da mulher através da masculinidade e da feminilidade— escreveu no coração de ambos o dom da comunhão, isto é, a misteriosa realidade da sua imagem e semelhança. De tal valor se trata no ato do domínio de si e da temperança, para que apela Cristo no Sermão da Montanha”. (TdC 49:5)

“o ethos da redenção do corpo realiza-se através do domínio de si, através da temperança dos “desejos”, quando o coração humano contrai aliança com tal ethos, ou, antes, a confirma mediante a própria subjetividade integral: quando se manifestam as possibilidades e as disposições mais profundas e, não obstante, mais reais da pessoa, quando adquirem voz os estratos mais profundos da sua potencialidade, aos quais a concupiscência da carne, por assim dizer, não consentiria que se manifestasse. Estes estratos não podem aparecer nem sequer quando o coração humano está fixo numa permanente suspeita, como resulta da hermenêutica freudiana. Não podem manifestar-se nem sequer quando na consciência domina o “antivalor” maniqueísta. Pelo contrário, o ethos da redenção baseia-se na íntima aliança com aqueles estratos”. (TdC 49:6)

Ainda sobre o ethos da redenção:

“Exprime-se e afirma-se através daquilo que no homem, em todo o seu “operar”, nas ações e no comportamento, é fruto do domínio sobre a tríplice concupiscência” (TdC 51)

“Nesta luta entre o bem e o mal, o homem mostra-se mais forte graças ao poder do Espírito Santo, que operando dentro do espírito humano, faz que os desejos frutifiquem para o bem. Estes são portanto, não somente – e não tanto – obras do homem, quanto fruto, isto é, efeito da ação do Espírito no homem”. (TdC 51:6)

São João Paulo II nos diz que a Teologia do Corpo não é uma teoria e sim uma pedagogia, que deve nos conduzir para a verdadeira realização humana! Ele se utilizará da expressão “pedagogia do corpo”, em algumas catequeses:

“A pedagogia tende a educar o homem, pondo diante dele as exigências, motivando-as, e indicando os caminhos que levam às suas realizações

Os enunciados de Cristo têm também este fim: são enunciados “pedagógicos”. Contêm uma pedagogia do corpo, expressa de modo conciso e, ao mesmo tempo, o mais completo possível. Quer a resposta dada aos Fariseus quanto a indissolubilidade do matrimônio, quer as palavras do Sermão da Montanha a respeito do domínio da concupiscência, demonstram ter o Criador assinalado como característica do homem o corpo, a sua masculinidade e feminilidade; e que na masculinidade e feminilidade lhe assinalou como característica a sua humanidade, a dignidade da pessoa, e também o sinal transparente da “comunhão” interpessoal, em que o homem se realiza através do autêntico dom de si ”. (TdC 59:2). Aqui está um bom resumo do projeto original para o ser humano!

E para finalizar, a grande exortação – pelo menos para nós – que não deixa nenhuma dúvida da VITÓRIA sobre o pecado:

“Todavia, a “redenção do corpo” exprime-se não só na ressurreição como vitória (escatológica) sobre a morte. Está presente também nas palavras de Cristo, dirigidas ao homem “histórico”, quer quando elas confirmam o princípio da indissolubilidade do matrimônio, quer também quando —no Sermão da Montanha— Cristo convida a vencer a concupiscência, mesmo nos movimentos unicamente interiores do coração humano. (…) Aqui trata-se não da esperança escatológica da ressurreição, mas da esperança da vitória sobre o pecado, que pode ser chamada esperança de cada dia. Na sua vida cotidiana, o homem deve ir buscar ao mistério da redenção do corpo a inspiração e a força para vencer o mal que está adormecido em si sob a forma da tríplice concupiscência.(…) Seja como for, (matrimônio ou celibato) trata-se da esperança de cada dia, que, à medida dos normais encargos e das dificuldades da vida humana, ajuda a vencer “com o bem o mal””. (TdC 86:6-7)

Meus irmãos, trouxemos apenas alguns textos para que você pudesse constatar a beleza destes ensinamentos contidos na Teologia do Corpo. São João Paulo II não nos deixa dúvidas da nossa vitória sobre o pecado pois aquele projeto das origens não perdeu seu valor, está dentro de nós, nos “estratos mais íntimos” do nosso ser, como nos lembrou o Papa.

Esperemos que esse complemento possa te ajudar a ressignificar sua vida e, a partir dos ensinamentos de Cristo, se libertar da escravidão do pecado que pode estar assolando sua história! Que as palavras de são João Paulo II possam ser o verdadeiro combustível para te dar força e te impulsionar a vencer, com a força do Espírito Santo, tudo aquilo que te escraviza!

Não deixe esta graça passar por tua vida!

Que Deus te abençoe e que São João Pulo II possa interceder por todos nós!

 

Grande abraço,

Marcelo e Viviane Pastre.
www.teologiadocorpo.com.br

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